Freguesia de Ançã - Cantanhede
  
 
 
9 de outubro de 2016, Ançã celebrou 500 anos da entrega do Foral Manuelino
Ançã viveu por um dia uma autêntica viagem ao passado. Foi no domingo, 9 de outubro, com a recriação do ambiente em que, há 500 anos, ocorreu a entrega do Foral Manuelino à vila histórica. Ao início da tarde, o Terreiro do Paço parecia ter recuado ao XVI, com o “Acampamento Militar, a “Exposição de Armamento”, o “Treino de Cavaleiros” e o “Cortejo Histórico”, tudo irrepreensivelmente encenado com a participação de figurantes trajados a rigor, gerando assim o contexto adequado à comemoração da efeméride.

Organizada no âmbito de uma parceria entre o Município de Cantanhede e a Junta de Freguesia de Ançã, contando também o envolvimento da Patrimonium, secção cultural do Teatro Novo Rumo de Ançã, a iniciativa culminou, no Largo do Pelourinho, com a reconstituição histórica dos momentos chave da entrega do Foral Manuelino de Ançã, em 1516, designadamente a “Chegada da Comitiva Régia do Emissário de El Rey”, a “Anunciação pelo Arauto das Inquirições para a Redação do Foral”, a “Convocação dos Homens Bons do Concelho” e a “Bênção do Foral pela Entidade Religiosa Competente”.

O acontecimento seria depois assinalado com o descerramento de uma placa alusiva, em cerimónia que contou com a presença da vice-presidente da Câmara Municipal, Helena Teodósio, do vereador da Educação e Cultura, Pedro Cardoso.

Na ocasião, o presidente da Junta de Freguesia ançanense, João Perdigão, referiu que “há 500 anos, quando o Foral foi entregue a Ançã, ficou demonstrada a importância que que esta vila tinha na região e no país, através do reconhecimento do rei à dinâmica económica e social que aqui se vivia já naquela época”.  

Por seu lado, a vice-presidente da Câmara Municipal enalteceu a ação conjunta da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia “para avivar de um dos fatores que mais contribuem para intensificar o enraizamento dos cidadãos, neste caso através de uma celebração coletiva que indiscutivelmente alimenta a chama do espírito comunitário que se vive nesta vila histórica. Esta atmosfera quinhentista configura uma estimulante viagem a um valioso capítulo desta vila, traduzindo também o compromisso geracional de despertar os jovens a descobrirem a história de Ançã”, sublinhou.

Depois de lembrar que “assinalar cinco séculos da entrega do Foral Manuelino de Ançã é o corolário de várias realizações iniciadas há alguns anos pela Câmara Municipal, designadamente a edição comemorativa dos 500 anos do diploma emitido pelo rei D. Manuel”, Helena Teodósio lembrou “o impulso dado a esse processo por Pedro Cardoso, enquanto vereador da Cultura, depois das diligências que já havia efetuado no período em que foi presidente da junta”.

Noutro momento da sua intervenção, a autarqca destacou “o papel da Professora Doutora Maria Alegria Fernandes Marques, autora de “A Vila de Ançã e o seu Foral Manuelino”, estudo que acompanha a versão fac-similada do documento, contextualizando as condições sociais e políticas subjacentes à sua emissão”.

Referindo-se à conferência daquela docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no encerramento das comemorações, como “uma grande lição de história que seguramente facultará uma leitura mais consistente e completa do acontecimento”, a vice-presidente da Câmara Municipal enalteceu “o trabalho desenvolvido pela investigadora a propósito dos Forais Manuelinos de Ançã, Cadima e Cantanhede”, agradecendo “a disponibilidade com que sempre acedeu aos convites que lhe têm sido formulados para proferir palestras sobres essas temáticas”.

Ainda no âmbito das comemorações dos 500 anos da entrega do Foral Manuelino à Vila de Ançã, a exposição alusiva ao acontecimento que está patente ao público na Sede da Phylarmonica Ançanense pode ser visitada no próximo fim-de-semana, 15 e 16 de outubro.
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