Freguesia de Ançã - Cantanhede
  

Igreja de Nossa Senhora do Ó - Igreja Matriz de Ançã

 

Não se conhece a data da construção da Igreja Matriz de Ançã.  No jornal “Ançanense”, n.º 2, de 16 de Maio de 1914, pode ler-se “Na noite de 3 de Outubro de 1783, das 8 ou 9 horas até à meia noite, ardeu a Igreja desta vila de Ançã, por descuido de um carpinteiro que no coro da mesma Igreja estava a fazer um retábulo para a Capela do Senhor Jesus: deixou um fogareiro aceso”.

Certo é que, em 1789, a Igreja Paroquial de Anca encontrava-se ainda bastante arruinada, o que levou o Bispo D. Francisco de Lemos a ordenar a sua reconstrução.

Na Igreja existem imagens do século XV e XVI. A imagem da Virgem e o Menino é imã escultura do Mestre João Afonso, o chamado Mestre das Alhadas. Representa Nossa Senhora sentada, com o menino ao colo, e é feita de calcário policromado.
Tem cerca de 88 cm. de altura.                          

O Inventário Artístico de Portugal, fala-nos de uma outra imagem do século XV – “Santa Luzia” – que, infelizmente, desapareceu.

Em dois nichos da capela-mor estão duas esculturas de pedra, da segunda metade do século XVI, representando S. Pedro e S. Paulo.

A frontaria da Igreja está repartida verticalmente em três partes por meio de pilastras e tem remate ondulado. Foi construído no século XIX, como esclarece a inscrição: “Era  de 1812”.
No interior, a Igreja tem três naves, separadas por duas arcadas dóricas, de cinco arcos cada. O coro ocupa o primeiro tramo e é sustentado com três arcos frontais. O interior têm três naves, é do século XVII, mas os arcos foram renovados na era da inscrição.
Na reforma do século XIX levantaram-se as paredes laterais, e abriram-se nelas frestas.
A capela-mor tem abóbada pétrea, em painéis. A capela lateral da esquerda, conversa a cúpula de tipo renascentista. A da direita é dedicada ao Senhor das Misericórdias.
As capelas do corpo, do lado do Evangelho, começando da entrada são as seguintes:

A Capela do Baptistério (tem um arco de entradas onde foi posto um brasão de madeira e abóbada de painéis do século XVII). Sabemos que aí foi mais tarde instituído uma capela de Missas como esclarece a inscrição:

ESTA CAPEL MANDOU FAZER VITO/
            RIO DA COSTA CERVEIRA. TEM DE
            OBRIGAÇÃO HUMA MISSA CADA SE –
            MANA/ FEITA NA ERA DE 1719 ANNOS.

A Capela seguinte é igualmente do século XVII. Tem portal e arco de pilastras lavradas, abóbada de aresta, com florão central. Sabemos que foi uma Capela de Missas conforme lemos na inscrição:

            ESTA CAPELLA MANDOU FAZER/ O DOU-
            TOR BENTO DIAS ZAM/BADO. TEM DE
            OBRIGAÇAM/ TRES MISSAS CADA SEMA-
            NA/FOI FEITA NO ANNO DE 1683.

    

O retábulo, do século XVII, é de quatro colunas. Nesta Capela está uma imagem de madeira, seiscentista, representando S. Bento. Aqui encontrava a imagem do século XV de Santa Luzia, descrita no Inventário Artístico de Portugal.

 






    

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